| O MERCADO DE JOGO | ARTIGOS DE OPINIÃO | NOTÍCIAS |

PORTUGAL: Hotel Estoril-Sol O início do fim de um ícone de Cascais

Operadores e Casinos de Portugal

16/01/07 PORTUGAL: Hotel Estoril-Sol O início do fim de um ícone de Cascais

Casino de Lisboa

O Estoril-Sol foi conhecido como o “hotel dos americanos” e a maior unidade do género no país. Só que os tempos actuais não parecem de feição a equipamentos de tal dimensão e a sociedade proprietária resolveu trocar a vocação hoteleira do espaço pelo investimento imobiliário com vista para o mar. A demolição do velho ícone começou esta semana.

Se ainda estivesse a funcionar, o Hotel Estoril-Sol completaria amanhã 42 anos. Mas no edifício de 20 andares que marcou a imagem turística da “linha” começaram na última semana os trabalhos que levarão à sua demolição. No seu lugar surgirá um novo complexo habitacional projectado por Gonçalo Byrne, com pouco mais de uma centena de apartamentos de luxo.

Foi em 15 de Janeiro de 1965 que o velho hotel abriu as portas, com pompa e circunstância. À inauguração do edifício projectado pelo arquitecto Raul Tojal acorreu a alta sociedade de Cascais e do país. A construção do hotel havia sido assumida pelo empresário Teodoro dos Santos, como contrapartida pela concessão do casino.

O proprietário de uma loja de malas na Baixa lisboeta promoveu a construção de um hotel que acompanhava a tendência hoteleira da época. Como nota Ana Tostões, no Inquérito à Arquitectura do Século XX em Portugal: “Respondendo ao consumo de modelos e às exigências comerciais, sucedem-se empreendimentos (Hotel Ritz, Praia da Rocha, Estoril-Sol, Templários) balizados entre um estilo internacional, o modelo tipo ‘mediterrâneo’, o brutalismo inglês e uma aproximação ao vernáculo local em hotéis e nos novíssimos programas designados por aldeamentos turísticos, caracterizados geralmente por uma escala muito diferenciada das dos aglomerados locais”.

O que para muitos terá sido sempre um “mamarracho” à beira da Avenida Marginal não deixa, porém, de marcar um período arquitectónico, mesmo que em contraponto com o estilo clássico de outras unidades no Estoril, como o Hotel Palácio, que mais de duas décadas antes tinha acolhido refugiados da guerra e jogos de espiões.

A Ordem dos Arquitectos, por ocasião da polémica em torno da anunciada demolição do Estoril-Sol, colocou os pontos nos “is” ao salientar que o velho edifício se tratava de “uma obra de autor e não de uma construção de pato-bravo”. E Gonçalo Byrne, autor do projecto que substituirá o hotel, também reconheceu que o edifício “marcou” a sua época, embora lhe aponte o efeito barreira em relação ao Parque Palmela.

Os anos dourados de 70

“O senhor Teodoro dos Santos construiu um hotel que não era para deitar abaixo em 40 anos”, comenta, com mágoa, Marcelina Neves, 66 anos, que trabalhou no Estoril-Sol até Abril de 2003, altura em que a unidade encerrou. A antiga secretária da administração assistiu à construção do edifício e ao orgulho que o empresário tinha na piscina “olímpica , mesmo que nunca tenha servido para competição. Ali só se disputaram os melhores lugares ao sol entre os clientes que preferiam maior conforto do que o proporcionado nas areias da envolvente do Tamariz. O dono do hotel respondeu ao interesse, recorda a sua colaboradora, emitindo “cartões perpétuos” aos primeiros clientes.

O início da década de 1970 correspondeu ao período de “maior projecção” do hotel, que possuía amplos salões para congressos e festas. Ah teve lugar o copo-de-água do casamento da infanta espanhola Pilar de Bourbon. Até à revolução de Abril, a clientela era principalmente oriunda do mercado americano.

“Os comerciantes do centro de Cascais sentem muito a falta do Estoril-Sol. Quando o hotel enchia os outros também estavam cheios”, salienta Marcelina Neves, residente na vila, admitindo que lhe “dói muito ver” o edifício condenado ao camartelo. E, para os críticos da sua arquitectura, sentencia: Não acho que fosse um mamarracho. Porque então o que vai substituir o Estoril-Sol também vai ser um mamarracho”.

Pela unidade de 350 quartos, com capacidade para oito centenas de camas, passaram inúmeras personalidades da vida social e política, sem esquecer os muitos artistas, alguns dos quais actuaram no casino. Na infindável lista constam a princesa Grace Kelly, Jorge Amado, John Wayne, Fred Astaire, Elis Regina, Ray Charles, Gilbert Bécaud, Liza Minelli, Shirley Bassey, Diana Ross… Foram servidos com uma baixela da marca de luxo Christofle, composta por 15 mil peças, uma parte das quais foram oferecidas pela administração da sociedade Estoril-Sol, pouco antes da abertura do Casino Lisboa, como prenda natalícia. “Seria injusto festejar o futuro sem homenagear o passado”, começava a carta que acompanhava a generosa oferta.

Implosão demorava mais

Na semana passada começaram a ser instalados os tapumes para a demolição do hotel. Segue-se a preparação do estaleiro e dos equipamentos necessários para deitar ao chão, por métodos tradicionais, as duas dezenas de andares da torre principal e dos restantes edifícios que lhe são contíguos.

A implosão, conforme salientava recentemente Mário Assis Ferreira, administrador da Estoril-Sol, foi abandonada por razões ambientais, uma vez que a demolição convencional permite a separação e reciclagem dos diferentes materiais. Aliás, no projecto entregue na Câmara de Cascais, refere-se que a utilização de explosivos poderia atrasar a obra, quer devido “ao risco de instabilização da encosta” quer pela remoção mais demorada do entulho.

Enquanto os operários preparavam a vedação, no interior davam-se os primeiros passos para o desmantelamento do prédio. Nas gigantescas cozinhas, abandonadas e sujas pelo tempo, um cartaz faz lembrar o corrupio dos tempos áureos ao avisar os empregados de que “as demoras no serviço estragam as refeições”.

Dinis de Abreu, porta-voz da Estoril- Sol, adianta que a demolição exterior deverá começar “em meados de Fevereiro” e que, “dentro de seis meses, não se verá o prédio do lado da Marginal até à cota do tapume”. O edifício será demolido à razão de um piso por semana e o acesso dos camiões será feito pelo lado superior do Parque Palmela. A tela que saúda o campeonato do mundo de vela, que se realiza no Verão, servirá de protecção.

A construção do novo projecto de Gonçalo Byrne começará quatro meses após a demolição e deve ficar concluído “no princípio de 2010”. Então, o velho Estoril-Sol só restará na memória. Afinal, o betão não é eterno.

As novas torres de Byrne

O arquitecto Gonçalo Byrne projectou para o espaço do antigo hotel a construção de três torres envidraçadas, com 14 pisos para habitação e um piso térreo para comércio e serviços. Os dois edifícios virados para a Avenida Marginal serão ligados, entre o 6º e o 10° piso, por uma ponte de40 metros, apresentando “uma redução de cerca de 32 por cento relativamente à área de construção acima do solo do actual hotel. A licença de construção emitida pela Câmara de Cascais, na sequência da aprovação do plano de pormenor para a zona, contempla a edificação de 111 apartamentos, com tipologias até T5, e de oitos lojas, para além de quatro caves para estacionamento, repartidos por 375 lugares, estando prevista a cedência de uma centena de lugares ao município para uso público. A autarquia, que arrecadou cerca de oito milhões de euros em taxas com a emissão dos alvarás de demolição e de construção, vai investir 2,2 milhões de euros na requalificação da entrada do Parque Palmela, com o seu prolongamento visual até a Marginal e a criação de uma praça pública e de uma ciclovia. Com a demolição do Estoril-Sol, a sociedade que o gere ficou obrigada a compensar a capacidade hoteleira através da recuperação do antigo hotel Miramar, destruído por um incêndio em 1975, e de uma nova unidade a construir junto ao Casino Estoril. O vice-presidente da câmara, Carlos Carreiras, esclarece que as 100 camas a recuperar no Monte Estoril dependem da aprovação do plano de pormenor para a zona e o hotel junto ao casino está em apreciação nos serviços. L. F.S.

Materiais doados a instituições

O porta-voz da Estoril- Sol, Dinis de Abreu, explica que muito do mobiliário, equipamento e materiais reutilizáveis foram e serão doados à autarquia e instituições de carácter cultural e social. Na cozinha, por exemplo, portas dos frigoríficos e outros elementos vão ser usados no cenário de uma próxima peça de teatro a subir à cena no Mirita Casimiro. E, à semelhança da Casa Decor, que ocupou três pisos após o fecho do hotel, também o Grupo de Operações Especiais da PSP ali realizou treinos contra acções terroristas. Algum do valioso acervo decorativo ainda existente no edifício, como os vitrais assinados por Manuel Lapa, os vidros de Murano no acesso ao restaurante ou os azulejos de Fred Kradolfer no átrio, serão também retirados com particular cuidado. Só após a fase do desmantelamento do “miolo” interior avançarão os bulldozers..

Casei e divorciei-me cá dentro”

Para muitos foi mais do que a própria casa. Ali trabalharam e viveram. Alguns ainda ali permanecem para assistir à morte inevitável do hotel

De aprendiz de electricista a chefe da manutenção, Lúcio Gomes, 56 anos, começou a trabalhar no Estoril-Sol em 1972. “Casei e divorciei-me cá dentro”, conta o ainda empregado da concessionária da zona de jogo do Estoril, agora como elemento da equipa que vai acompanhar a demolição do velho hotel.

Afinal de contas, poucos serão os que conhecem os cantos a casa como Lúcio Gomes. Na sua memória guarda a passagem pelo hotel de personalidades tão distintas como o jornalista João Coito, a fadista Amália, o antigo ditador Mobutu do Zaire ou o cantor Roberto Carlos.

Do cantor brasileiro fica para a história a “fobia pelo amarelo”, que obrigava a forrar com papel prateado todos os objectos em latão. Mobutu, que tomou o poder no actual Congo através de um golpe de Estado, também fazia gala em ocupar os dois a três últimos pisos do hotel, acompanhado das suas sete mulheres.

Lúcio Gomes lembra-se da gambiarra de luzes de Natal que ajudou a fabricar e que foi transportada para o então Zaire por um avião mandado a Portugal expressamente para o efeito. Marcelina Neves, por seu lado, assegura que o cabeleireiro do hotel se deslocou por duas vezes ao país africano para cortar o cabelo ao “presidente” e dar formação aos empregados locais.

Mota Videira, engenheiro que também trabalhou no hotel, relata um episódio com o antigo presidente de Moçambique, com sabor a anedota: “Samora Machel tinha à sua espera um grande bolo com as bandeiras portuguesa e moçambicana Pediu para chamar o pasteleiro e disse-lhe: ‘Vá fazer outro que este não deixo que ninguém o coma'”.

Os dois funcionários coincidem na altura em que o declínio marcou o Estoril- Sol: a construção do vizinho hotel Miragem, que obrigou à demolição de uma parte do edifício e à redução de 310 para 270 quartos. As obras de recuperação levadas a cabo em 1994 adaptaram o Estoril- Sol às modernas exigências regulamentares turísticas, mas o ambiente de outrora, resultado do “sonho” de Teodoro dos Santos, não mais regressou. Ironicamente, o moderno hotel vizinho vai agora ter que suportar os incómodos da demolição do velhinho símbolo do turismo da costa do Estoril.

Fonte: Ordem dos Arquitectos

Luís Filipe Sebastião

                                                                                                                                                             

Desde 2004

JOGO REMOTO   Observatório do Jogo Remoto.   Jogo Responsável   Jogo Excessivo   Regulação   Fraude Desportiva.   Responsible Gambling
 
OJR   Visite o Observatório do Jogo Remoto, provavelmente a maior base de dados existente, sobre jogo online… aqui
 
OJR   Conheça e acompanhe o desenvolvimento do nosso projeto europeu … aqui
 
  Visite a nossa página no facebook … aqui

 

PROJECTO EUROPEU EM DESENVOLVIMENTO

   The Remote Gambling Observatory aggregates transparent and credible information on the licensed operators in the various jurisdictions of the European Union, monitoring their policies for responsible gambling by internationally recognized and scientifically validated standards.
Through the indicators  and dimensions of analysis that make up those standards, the Observatory allows an, independent and accurate, assessment of the operators, with regard to its security policies and consumer protectionin several domains.
On the way to a european gambling market regulation, the transparency and accuracy of responsible gambling data disclosed to the public, represents a clear contribution of licensed operators for a reliable gambling environment, reinforcing the consumers trust on the safety of their bets and the knowledge of a sector committed to quality products and with respect for their customers.
   O Observatório do Jogo Remoto agrega informação, transparente e credível, sobre os operadores licenciados nas diversas jurisdições da União Europeia, monitorizando as suas políticas de jogo responsável através de requisitos reconhecidos internacionalmente e validados cientificamente.
Através das dimensões de análise e indicadores que compõem aqueles requisitos, o Observatório permite efectuar uma avaliação, independente e rigorosa dos operadores, no que respeita às suas políticas de segurança e protecção dos consumidores nas mais variadas vertentes.
Num caminho para uma regulação europeia do mercado do jogo, a transparência e o rigor da informação prestada ao público no que concerne ao jogo responsável, representa um claro contributo dos operadores licenciados para um ambiente de jogo credível, reforçando a confiança dos consumidores na segurança das suas apostas e no conhecimento de um sector comprometido com a qualidade dos seus produtos e com o respeito pelos seus clientes.

 

 All rights reserved | Todos os direitos reservados | responsiblegambling.eu

Related Posts

Leave A Response

Example Skins

dark_red dark_navi dark_brown light_red light_navi light_brown

Primary Color

Link Color

Background Color

Background Patterns

pattern-1 pattern-2 pattern-3 pattern-4 pattern-5 pattern-6

Main text color