10/02/08 PORTUGAL: PJ tem “fortes indícios criminais” no processo do Casino
A investigação do jornal Expresso à forma como o governo PSD/CDS entregou o edifício do Casino Lisboa à Estoril-Sol continua na edição deste sábado.
A consulta às escutas telefónicas entre Abel Pinheiro e Paulo Portas revelam que o visto de Telmo Correia ao parecer da Inspecção de Jogos era o que bastava às pretensões do Casino, não sendo necessário – ao contrário do que agora alega o ex-ministro – manifestar concordância com o documento que entregava a propriedade do edifício ao concessionário. E o assessor de Telmo que informou Abel Pinheiro da luz verde para o “jackpot”, já depois da queda do governo, acabou por ser contratado pela Estoril-Sol.
O semanário Expresso avança que a Polícia Judiciária vê “fortes indícios criminais” neste processo e que a Procuradoria afirma estar a analisar a situação. Uma conclusão que parece lógica depois de lidas as transcrições das conversas telefónicas entre Mário Assis Ferreira, administrador da Estoril Sol e homem-forte dos casinos, Abel Pinheiro, ex-director das finanças do CDS com ligações à alta finança, Paulo Portas, Luís Nobre Guedes e Telmo Correia, à altura dos factos ministros do CDS. As escutas já não estão em segredo de justiça, mas uma recente alteração ao Código de Processo Penal proíbe a imprensa de as transcrever sem a autorização dos escutados. Neste caso, todos recusaram dar autorização.
O governo de Santana Lopes estava já em período de gestão quando envia para Belém uma alteração à lei do jogo, anulando a regra da reversibilidade para o Estado do património das concessões. Abel Pinheiro diz nas escutas que a alteração só foi promulgada depois de algumas pressões sobre o gabinete de Sampaio. A lei foi uma iniciativa de Telmo Correia, que o admitiu nas declarações que prestou ao Ministério Público no caso Portucale. O decreto-lei é publicado a 17 de Fevereiro de 2005, em plena recta final da campanha para as legislativas que três dias depois dariam a maioria absoluta ao PS.
Cinco dias depois da publicação do decreto, a Estoril-Sol entrega um requerimento na Inspecção-Geral de Jogos a reclamar a propriedade do edifício que já foi o Pavilhão do Futuro. Um procedimento que Assis Ferreira diz a Abel Pinheiro já ter sido combinado com o ainda ministro do Turismo do governo PSD/CDS em gestão, Telmo Correia. O motivo do requerimento é a necessidade de financiamento do concessionário, e para constituir uma hipoteca sobre o edifício haverá que dissipar as dúvidas dos bancos sobre quem é o proprietário do imóvel. Alegando a mudança da lei, a Estoril Sol diz que tanto o edifício como o parque de estacionamento não são reversíveis para o Estado. A resposta ao requerimento surge no próprio dia: Joaquim Caldeira, o então inspector-geral, concorda com a Estoril Sol, lembrando o artigo da nova lei que a faz aplicar a todos os contratos de concessão em vigor.
Com o parecer da Inspecção-Geral dos Jogos, faltava apenas o visto do ministro, na opinião de Assis Ferreira. E foi isso que transmitiu a Abel Pinheiro no dia 4 de Março de 2005, dizendo também que conseguira que Joaquim Caldeira fizesse um novo parecer, com a mesma data e número e ofício. No dia 7, Abel Pinheiro transmite a Luís Nobre Guedes e Paulo Portas a necessidade do visto, sublinhando várias vezes que não é preciso dar o acordo ao parecer de Caldeira e que basta um simples visto. O assunto volta às conversas nos dias seguintes mas é só a 11 de Março que Nuno Pinheiro, o assessor de Telmo Correia, informa Abel Pinheiro que Telmo assinou o documento. A Estoril-Sol ficava com caminho aberto para usar o edifício como garantia bancária graças a todo este processo.
Noutra das escutas entre Abel Pinheiro e Assis Ferreira, o homem das finanças do CDS pede ao administrador da Estoril Sol para empregar Nuno Pinheiro, o assessor de Telmo que lhe trouxe a boa nova, sublinhando que o pedido viria de Telmo e de alguém identificado por patrão-mor, e que o salário seria entregue em notas a Assis Ferreira, que reagiu à cunha dizendo que teria de inventar qualquer coisa porque não tinha nada para o assessor fazer na Estoril-Sol. Contactado pelo Expresso, Assis Ferreira confirma a contratação de Nuno Pinheiro mas garante que os salários foram pagos pela Estoril Sol.
Fonte: Esquerda.Net
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