20/02/06 PORTUGAL: Sair Com… Mário Assis Ferreira
Passeámo-nos pelo maior santuário de jogo da Europa, guiados pelo homem que revolucionou o conceito de gambling em Portugal. Mas não chegámos a experimentar as apostas bancadas – e no final ainda levámos a sabatina sobre os perigos do vício. O jogo já não é o que era.
O folheto é verde, da cor dos panos de ‘poker’, e quando Mário Assis Ferreira o estende é mais como um manifesto do que como um aviso. “Descodifique o seu comportamento: joga porque está aborrecido, ‘stressado’ ou sob grande pressão? Peça a alguém da sua confiança para guardar o seu dinheiro”, recita ele, de folheto na mão. Com isso, pretende deixar claro que estamos num espaço diferente, oposto ao dos casinos americanos, nos quais se oferecem as bebidas aos jogadores, em que os melhores quartos dos hotéis anexos são para os fumadores, mais facilmente viciáveis, e por onde deambulam velhos puxando ‘trolleys’ com garrafinhas de oxigénio, incapazes já de respirar – mas jogando ainda, como se jogar fosse a última coisa a fazer na vida. “Nunca publicitei o jogo”, insiste. “Vejo-o como uma extensão lúdica do entretenimento do casino, e longe de mim imaginar que alguém vem aqui a pensar em enriquecer sem trabalhar.”
Nayma, a manequim negra, está por todo o lado – é a cara do complexo para esta estação. De vez em quando ouve-se um “bruá”, e Mário Assis Ferreira suspira: “Mais um que ganhou. É bom, pois não teríamos clientes se não fosse possível ganhar…” Muitos dos jogadores, conhece-os pelos nomes. Garante que passa ali 14 a 16 horas por dia e que é muito difícil deixar-se enganar – mas assume que já teve de demitir um funcionário que se equivocava sempre nos pagamentos ao mesmo indivíduo e de desmontar uma rede de prostituição que começava a formar-se nas salas de jogo bancado. É uma segunda-feira à noite, a frequência está longe das enchentes do fim-de-semana – e, porém, há homens que vagueiam solitários, olhando para o jogo dos outros ou sentando-se a beber sozinhos no salão central, conhecido como DuArte Garden. Luzes piscam em todas as direcções, sons gravados de máquinas vomitando dinheiro ecoam dos vários cantos da sala, para manter a adrenalina em alta.
“Não exploramos as solidões, quando muito compensamo-las. Mas o casino deve ser um espaço de alegria e de partilha com a família e os amigos.”, sublinha Assis Ferreira. E então, perante a minha insistência, embarca finalmente no discurso sobre o vício e os seus perigos – as suas expectativas infundadas e a decadência, a mentira e a necessidade de disseminar aquilo a que chama “a reconceptualização do espaço-casino”. “Não me falem em ‘programas de jogo’ ou em perícia. O que conta aqui é a sorte. Mas não são comuns os enriquecimentos rápidos – nem conheço um só caso de ruína abrupta”, continua. Depois, detém-se um instante. “Preocupamo-nos em passar essa mensagem. Mas também é verdade que um estudo da Universidade do Massachusetts prova que apenas três por cento dos jogadores se deixam viciar – e só nos jogos de pano verde, não nas ‘slot machines’…”
Mário Assis Ferreira é assim: pormenorizado, quase obsessivo – atento aos pormenores tanto quanto ao contributo de cada um deles para a imagem do Casino Estoril. Nascido há 62 anos em Arganil, estudou Direito, foi chefe de gabinete de um Secretário de Estado de Marcello Caetano, exerceu advocacia quando o 25 de Abril o atirou para as margens, mudou-se para o Brasil para trabalhar em ‘import-export’ e voltou a Portugal, em 1984, para integrar a Estoril-Sol. Colocado três anos depois na presidência operacional do Casino, transformou em pouco tempo o espaço lúgubre do passado num dos mais vibrantes pólos nacionais de cultura popular, com restaurantes, salas de espectáculo e galerias de exposição. Hoje, o casino do Estoril é o maior da Europa tanto em área como em facturação, à frente do de Salónica, na Grécia, e três lugares acima do de Monte Carlo, no Mónaco. Tem mais de mil funcionários, dos quais 750 a tempo inteiro, e só a sala de máquinas equivale a um campo de futebol e meio. Recebe seis mil pessoas por dia.
“Naturalmente, temos soluções ‘las veguianas’. Mas o que fizemos sempre foi pegar nelas e adaptá-las à realidade portuguesa. Não é a mesma coisa ter 200 anos de história ou ser um povo com mil anos de tradição”, explica. Nos Estados Unidos, as salas, os ‘lounges’ e os corredores são frequentemente vermelhos e azuis, muito ‘kitsch’ – aqui são pretos, prateados e dourados. Na América vai-se buscar os jogadores a casa, instalando-se as amantes nos hotéis – aqui publica-se a ‘Egoísta’, uma revista trimestral de cultura, grande e bela, com mais de 14 prémios internacionais de ‘design’ e a colaboração de alguns dos melhores escritores do momento. E, no entanto, ainda em Janeiro passado as receitas subiram 11% em relação ao período homólogo de 2005. “Crescemos dois dígitos ao ano durante muito tempo e, agora, estamos há três anos estagnados. Talvez esteja aí a retoma…”, reflecte.
Antes, paramos no escritório, onde Mário Assis Ferreira nos recebe primeiro de charuto – e depois muda para o cachimbo, que garante condizer melhor com a sua personalidade. “É mais estimulante dos pontos de vista degustativo e olfativo.” As frases saem-lhe quase sempre assim, certinhas, como se já antes as tivesse dito – e acontece-lhe parar numa resposta e pôr-se a murmurar: “Como é que eu digo isto de uma forma politicamente correcta?…” Depois posa para as fotos, e é óbvio que lhe é fácil fazê-lo. Explica que tem três secretárias, que se revezam ao longo do dia, e garante que há anos que não almoça. Em volta estão espalhados mais de 200 cachimbos, todos prendas de amigos, mais quadros de Gil Teixeira Lopes, Noronha da Costa ou Eduardo Alarcão, alguns deles igualmente oferecidos pelos autores. De vez em quando, pára para um telefonema, a pedir algum documento à secretaria ou a um colaborador – e zanga-se uma vez com cada um deles, num gesto de enfado de quem tem dificuldades em fazer-se compreender.
E, então, conta-nos sobre o Casino de Lisboa, o projecto a que dedicou o último ano – e brilham-lhe os olhos de gozo. “Uma pessoa pode ser sublime até a calcetar um passeio. Eu dedico-me a isto…” Impedido de jogar por imperativo profissional, ficará no entanto perto do novo espaço. Mora em Lisboa, na verdade – em zona puramente urbana, muito longe das ‘picket fences’ do Estoril e de Cascais. E, se lhe perguntarem porquê, responderá sempre: “Eu saio todos os dias do trabalho às seis da manhã, fins-de-semana incluídos…Caramba, há alguma coisa melhor do que acabar um dia de trabalho com uma viagem de carro às seis da manhã, sem trânsito na estrada?”
CONTRA A BETANDWIN, MARCHAR!
Mário Assis Ferreira não gosta do Euromilhões por causa da sua transcontinentalidade, sobretudo tendo em conta que, em Portugal, o jogo sempre fora objecto de contenção e vocacionado para a obra social. Mas é a Betandwin.Com e a sua associação à Liga de Futebol Profissional que verdadeiramente o repugna. “Indigna-me que a Liga, tutelada por um membro do governo, se autorize a fazer um contrato com um casino cibernético sediado num paraíso fiscal”, explica. “A Betandwin é clandestina e ilegal, tal como já foi declarada pelo ICAP e por um parecer da Procuradoria-Geral da República. Ora, nós, que pagamos 62% de impostos e despendemos dezenas de milhões de contos por contratos até 2020 e 2023, não podemos aceitar que o Estado abdique desses valores para os deixar fugir para Gibraltar. Em Las Vegas tributa-se 7%, caramba – os esforços de investimentos que fazemos são verdadeiros esforços…”
AS ESCOLHAS DE MÁRIO ASSIS FERREIRA
PORTUGAL. “Tenho viajado bastante e, sempre que comparo os portugueses aos outros povos, fico com uma certeza: mais do que a ambição de uma evolução pessoal, cultivamos a inveja pela evolução do vizinho do lado.”
CASINO DE LISBOA. “Construímo-lo em onze meses e vamos inaugurá-lo a 19 de Abril, no antigo Pavilhão do Futuro. Penso que podemos gabar-nos de ter encontrado soluções nunca antes aplicadas a um casino.”
RAQUEL CRUZ. “Transferimos uma das assistentes de relações públicas para o Casino de Lisboa e, das candidatas ao lugar, era a que tinha o melhor perfil, incluindo curso superior de hotelaria, à-vontade e boa figura. Tratar-se de uma figura pública foi irrelevante.”
CHAPA GANHA, CHAPA GASTA. “Perdi uma fortuna na bolsa, em 1974, e decidi que nunca mais teria dinheiro senão do meu ordenado. Sou um teso que ganha bem. E, como não bebo vinho e só como para sobreviver, gasto-o em carros, em relógios e em tabaco.”.
Fonte: NOME DE CÓDIGO: CASINO
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PROJECTO EUROPEU EM DESENVOLVIMENTO

The Remote Gambling Observatory aggregates transparent and credible information on the licensed operators in the various jurisdictions of the European Union, monitoring their policies for responsible gambling by internationally recognized and scientifically validated standards.
Through the indicators and dimensions of analysis that make up those standards, the Observatory allows an, independent and accurate, assessment of the operators, with regard to its security policies and consumer protectionin several domains.
On the way to a european gambling market regulation, the transparency and accuracy of responsible gambling data disclosed to the public, represents a clear contribution of licensed operators for a reliable gambling environment, reinforcing the consumers trust on the safety of their bets and the knowledge of a sector committed to quality products and with respect for their customers..
O Observatório do Jogo Remoto agrega informação, transparente e credível, sobre os operadores licenciados nas diversas jurisdições da União Europeia, monitorizando as suas políticas de jogo responsável através de requisitos reconhecidos internacionalmente e validados cientificamente.
Através das dimensões de análise e indicadores que compõem aqueles requisitos, o Observatório permite efectuar uma avaliação, independente e rigorosa dos operadores, no que respeita às suas políticas de segurança e protecção dos consumidores nas mais variadas vertentes.
Num caminho para uma regulação europeia do mercado do jogo, a transparência e o rigor da informação prestada ao público no que concerne ao jogo responsável, representa um claro contributo dos operadores licenciados para um ambiente de jogo credível, reforçando a confiança dos consumidores na segurança das suas apostas e no conhecimento de um sector comprometido com a qualidade dos seus produtos e com o respeito pelos seus clientes.
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