09/02/06 PORTUGAL: Façam as vossas apostas
Recordistas do Euromilhões, Portugal tem o maior casino da Europa e há mais quatro a caminho.
Enquanto as apostas online disparam, multiplicam-se as rifas, os lotos paralelos, os antros clandestinos e as slots ilegais. O País gasta em jogo o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto.
A sua perdição é a roleta. Adora ver lançar a bola, acompanhar cada milímetro do seu trajecto, ouvi-la rolar, sustendo a respiração. E enquanto, cada vez mais devagar, a bola vai sobrevoando os números marcados a preto e vermelho, o coração bate-lhe mais depressa e assomam-lhe suores frios à flor da pele. Em menos de um minuto, um último salto e já está: o jogo termina. O jogador multiplicará por 35 o valor apostado. Mas, na maioria dos casos, perde. Uma e outra vez. E muito dinheiro. «Há quem lhe chame o jogo do diabo… A verdade é que, somando todos os dígitos da roleta, se obtém o famoso 666», diz Elvino Basílio, 62 anos.
Este croupier reformado e vendedor de material de jogos já explorou bancas clandestinas no Algarve e foi responsável por casinos em vários países africanos.
Voltou há seis meses dos Camarões, onde quase cumpriu o seu sonho. Depois de muitos anos a estudar sistemas matemáticos, concluiu que só havia uma forma de vencer: abrindo o seu próprio casino. Já dizia François Blanc, pioneiro dos jogos em Monte Carlo: «Jogue-se no vermelho ou no preto, é sempre o Blanc (branco) que ganha.» No entanto, ainda não foi desta que Basílio teve sorte.
Este é um dos protagonistas do Portugal sonhador, o País que mais gasta no Euromilhões, onde os seus oito casinos e 30 bingos movimentam 1 500 milhões de euros por ano e só as apostas ilegais representam perto de 1% do PIB nacional. Na sexta-feira, 3, um anónimo jogou no prazo-limite, na papelaria Kaala, em Odivelas, e tornou-se no sétimo português a triunfar no Euromilhões, dando a volta à probabilidade de um para 76 milhões, com os seus dois euros de aposta mínima, entre um volume total de 47 milhões de euros. Caíram 61 191 026 euros na sua conta bancária.
Sexta-feira, 3
Nessa sexta-feira de todas as esperanças, a loja do Rossio da casa de lotarias Campião transborda. «Esta semana, batemos todos os recordes», afirma Nuno Campos, 48 anos, um dos directores comerciais. «Nós próprios juntámos cem euros no escritório, para jogar.» E o delírio do Euromilhões já não surpreende ninguém: «Sempre que aparece um novo jogo, as pessoas aderem, até com a raspadinha isso aconteceu. Quando o Totoloto surgiu, as filas dobravam a esquina.» Vinte anos depois, o cenário repete-se com o concurso do Velho Continente. «Pulverizou todos os outros.» E, na calha, está outra promessa febril, em versão totobola europeu.
Ainda na mesma sexta-feira, um mediático advogado atira-se, na composta sala de jogos tradicionais do Casino Estoril, a duas roletas, com fichas no valor de vários ordenados mínimos, embora a anos-luz de outro parceiro: o asiático das paradas milionárias. Quando ganham, não o demonstram, continuam. Quando perdem e vêem o croupier encaminhar a pilha de fichas literalmente para o buraco, persistem. Ganham, perdem, ganham, perdem – a última das jogadas definirá os humores para o resto de uma noite em que a casa até nem lucrou.
Quem não se dá ao trabalho de pisar as areias movediças das salas de jogo, persegue o sonho em casa. «São já vários milhares» os aderentes portugueses da Betandwin, diz, sem precisar, Karin Klein, chefe de comunicação do portal, que arrancou num modesto apartamento de Viena e hoje ocupa o último piso do majestoso antigo palácio da Bolsa da capital da Áustria. O mercado luso tornou-se «chave» em menos de um ano – explora-se a adrenalina do jogador até ao limite, com possibilidades de apostas em dezenas de desportos, eleições e, claro, jogos de casino. Nestes, o apostador é seduzido com um bónus de até cem euros na primeira compra de fichas.
Aleatório e matemático
O presidente do conselho de administração do Casino Estoril divide os jogadores em dois tipos: os chineses e os outros. «Aqui, estamos no mundo dos outros», diz Mário Assis Ferreira, 62 anos, um homem que acredita menos na sorte do que na ausência de azar. Mas que adora este negócio pela «sua capacidade de lucro e aplicação em actividades sociais, culturais e artísticas».
Dos outros, daqueles que acreditam na sorte, são cerca de 7 500 os que, nesta longa noite de sexta-feira, se repartem pelo glamour dos 38 mil metros quadrados do maior casino da Europa. Ali, o luxo está ao alcance da classe média, durante um jantar no Salão Preto e Prata, no qual 1 100 pessoas assistem ao espectáculo Dança com Letras, ou nos seus cinco bares, onde meninas de mini-saias coloridas servem bebidas a preços baixos. Mas nada de confusões: a maioria está ali para jogar.
Mal ultrapassa a porta giratória, o jogador cruza a fronteira que lhe dará acesso a uma cidade de luz, onde tudo pisca em palavras chave: Fortune, double diamonds. Numa palavra… money. À porta das salas de jogo, só em caso de dúvida se pede o Bilhete de Identidade, para atestar a idade mínima de acesso, 18 anos. São 1 100 as máquinas que se perfilam em longos corredores, com uma taxa de ocupação média de 65% – um recorde mundial. À meia-noite e cinquenta, a sala de operações regista, em tempo real, 58%, mas a que se terão de somar mais uns 40% que estão a trocar fichas, mantendo a slot debaixo de mira. Casais, mulheres jovens e velhos solitários – «um mosaico sociológico do País», define Mário Assis Ferreira.
Todos na fisgada de lhes tocar o golpe de sorte, sabendo-se que, diz a administração, as máquinas estão programadas para retribuições altas, na ordem dos 94,3% (outro recorde, já que por cada mil euros a casa paga 943). Necessariamente não é isto que as pessoas levam para casa, pois muitas, não sabendo retirar-se quando ganham, investem tudo de novo. «Não existe actividade que seja tão aleatória como o jogo», afirma Assis Ferreira, «e, ao mesmo tempo, tão certa quanto aos resultados.»
Chamada para o pano verde
Todos os dias entram, em média, 5 milhões de euros nestas máquinas. Elas representam mais de 85% das receitas da casa e o Casino, vendo a sala de jogos tradicionais perder clientela, fez a sua aposta: as salas mistas, com jogos bancados, de pano verde, ali bem no meio das slots, do Mercedes Classe E, de 57 mil euros, a sair um destes dias (também há uma Harley Davidson Heritage Softail, de 19 mil euros) e das apostas em rede com o Casino da Póvoa, onde o jackpot se acumula desde Outubro último: 142 999 euros. Os dígitos sempre a rodar, à medida do dinheiro que vai entrando. E que tarda em sair…
Um bêbado quebra a concentração de um rapaz enfeitiçado pela roleta: «Tens dinheiro?» Os números acabaram por ser benéficos para os dois: o jogador ganhou uns 300 euros e o chato um copo de borla. «As zonas mistas desmistificam», explica Artur Mateus, 41 anos, administrador do Casino Estoril. Foram criadas em 2003, com jogos a feijões. Depois, abriram-se três mesas, já com apostas, e foram-se multiplicando até às 12 actuais. «As pessoas vêm para aqui, aventuram-se e acostumam-se.» Uma parte acabará por se transferir para o andar de cima, onde se participa nos mesmos jogos.
Para ter acesso a este espaço selecto, no qual as paradas são muito mais altas, o jogador tem de se identificar e pagar quatro euros. É ainda advertido, num cartaz bem visível, para não ultrapassar a sua capacidade financeira: «O jogo só deve ser motivo de diversão.» Está também à mão um folheto, elencando os sinais de dependência. Pelo chão de mármore rosa e debaixo de onze câmaras, os apostadores rodam pelas 12 mesas, entregues aos caprichos da fortuna e do azar. «Não há drogas, não há mulheres, não há copos que dêem a adrenalina de uma sala de jogo», diz João Teixeira, presidente do Sindicato dos Profissionais de Banca de Casino e croupier há 28 anos.
Nunca digas nunca
Euforia. Perda. Desespero – espécie de desgraçadíssima trindade dos jogadores compulsivos. Começam por negar o vício. Minimizam-no. Mentem. Ganham, às vezes. Perdem, quase sempre. Endividam-se. Enquanto dobram a aposta, com a firme certeza de que vai ser daquela vez, à sua volta o mundo desaba. O estrondo, porém, é abafado pelo tilintar das máquinas. Os néons e a ausência de luz natural impedem a visão dos escombros. Sem relógios, no casino o tempo voa.
Depois de 30 anos de jogo, João só parou quando a mulher lhe pôs as malas à porta. «O meu fundo do poço foi emocional.» Quase sem se aperceber, tinha ficado arrogante e fechado. «Levantava-me só com o fito de conseguir dinheiro para jogar. De manhã, no escritório, tratava de fazer o máximo possível e dez minutos antes das três já estava à porta do casino, à espera que abrisse. Saía uns minutos antes de fechar, às três da manhã, e deitava-me com remorsos e a dizer ‘não jogo mais, não jogo mais’.» No dia seguinte, no duche, aquele ‘nunca’ começava a desaparecer. «Às três, estava de novo à porta do casino.»
Por uma vez João (nome fictício), 50 anos, teve de vender uma propriedade para pagar uma dívida mas frequentemente recorria a um agiota, com juros de 10 por cento. Com dinheiro na mão, «a ‘pica’ só chegava quando era a última jogada a decidir tudo». Para um compulsivo, garante, «uma aposta não é suficiente e mil nunca são de mais».
Segundo Pedro Hubert, um terapeuta especialista em jogo compulsivo, as estatísticas internacionais indicam que, nos locais onde exista um forte apelo ao jogo, 8% a 10% da população corre o risco de se tornar jogador abusivo ou patológico. Onde não existam esses atractivos, a probabilidade diminui para l% ou 2 por cento.
O jogador compulsivo, adianta, tem «fortes distorções do pensamento ao nível da negação, é supersticioso, hiperconfiante, competitivo, inquieto e aborrece-se facilmente». Desenvolve, também, doenças associadas ao stresse, como hipertensão, enfartes e úlceras. Imaturo, quer tudo sem esforço, evitando a autonomia e as responsabilidades.
Para os ajudar, existem em Portugal dois grupos de Jogadores Anónimos: um em Carcavelos, outro no Porto. Na capital, a reunião é frequentada por 13 a 15 pessoas – na maioria, homens com mais de 40 anos. Nos dias da febre do Euromilhões, sentem-se mais frágeis, bombardeados com «tanto apelo à riqueza fácil», conta uma jogadora anónima. «É difícil lidar com este estímulo constante.» A publicidade massiva ao jogo, diz, é «um convite desonesto, como vender droga à porta das escolas».
Badajoz à vista
Ninguém liga aos desportos de Inverno, nos ecrãs de plasma. Todos estão atentos aos monitores, onde aparecem as bolas que, em ansiosa cadência, saem da tômbola. Uma voz monocórdica de mulher acompanha-as: «Setenta e três – sete, três…»
A nicotina arranha na garganta. Há quem diga que o aperto da legislação antitabágica será a morte dos bingos. Mas, entre os funcionários do Belenenses, aposta-se o contrário: «O vício do jogo», diz um dos mais antigos, «é mais forte.»
Passa pouco da meia-noite de sexta-feira e, nesse dia, já se ultrapassou a octagésima jogada. Na enorme sala, é difícil encontrar um lugar entre os quase 500 desta casa lisboeta, uma das maiores do País. É início do mês, há dinheiro fresco para comprar cartões com 15 números cada.
Mas os bingos já não são nenhum maná. «Há dez anos que não há crescimento», nota João Marques Gonçalves, 65 anos, vice-presidente do Belenenses. A recessão atacou-lhes a clientela, os jogos sociais foram-na eliminando ainda mais e os portais online deram a tacada final.
Em Elvas, a única sala de bingo da cidade encerrou há mais de um ano, por causa da concorrência espanhola. Afinal, em qualquer café de Badajoz é possível jogar nas «máquinas de tipo B», que dão um prémio máximo de 75 euros, quando o rei faz anos. Os holofotes do Gran Casino da Extremadura, inaugurado em Julho de 2005, iluminam a fronteira do Caia e confirmam que os portugueses são a sua prioridade. Na auto-estrada, no sentido de Badajoz, um enorme cartaz, em português, apresenta-o como um local onde «o sonho se torna realidade»; seguindo na faixa contrária, um outro outdoor, em castelhano, convida os espanhóis a conhecer «o maior casino da Europa», o do Estoril.
«Cerca de 40% dos nossos clientes são de Elvas, Évora ou Portalegre», contabiliza o relações públicas Felipe Brandão, 30 anos, um dos muitos portugueses que compõem a equipa do Gran Casino, tal como o responsável pelo complexo, Bernardino Bastos. Para que nada falhe, os croupiers tiveram 600 horas de formação para aprenderem a tratar o cliente luso.
Os reinos de Enen Kio
Em Portugal, há, pelo menos, mais quatro casinos na calha, enquanto os oito existentes se vão organizando para tratar da saúde às apostas online, que consideram ilícitas, denunciando o acordo entre a Betandwin e a Liga Portuguesa de Futebol. A Procuradoria Geral da República já declarou o portal ilegal, por violação do Código da Publicidade – no nosso país, só os concursos sociais podem ser promovidos. Os representantes das salas de jogo pretendem, também, que a concessão do Estado se alargue à Internet, garantindo o pagamento de impostos de 50% sobre as receitas, tal como hoje sucede nos casinos físicos.
São ainda raros os inquéritos-crime contra casinos cibernéticos, a maior parte sediada em paraísos fiscais, como a Betandwin, em Gibraltar, ou até virtuais, como os Reinos de Enen Kio. Em Portugal, o processo mais sonante – e que será julgado em breve – envolve cerca de 20 profissionais de casas de diversão nocturna que, em parceria com uma rede canadiana e de outros países, criaram um casino online apenas para uso dos seus clientes. Chegou a dar um lucro de 400 mil euros por semana. Tudo se precipitou, quando alguns utilizadores apresentaram queixa na Polícia Judiciária (PJ) por, alegadamente, não lhes terem sido pagos os prémios. «E é esse o principal perigo dos casinos na Net», remata um inspector da PJ. «Não há nenhuma garantia física de que a pessoa receberá o que ganha.»
A jogada dos GOE
Sobra ainda um mundo obscuro – também associado ao jogo ilegal. «Ao pé daquilo, é um paraíso a hora de ponta na estação de metro do Marquês.» A analogia é de um agente da PSP, referindo-se ao que se passava num velho andar de Arroios, em Lisboa: em pouco mais de 20 metros quadrados, 50 jogadores amontoavam-se diariamente em redor de uma banca francesa, arriscando a sorte e, sobretudo, o azar. O frémito das apostas era tanto que até os exércitos de baratas pelo chão passavam despercebidos, a par do cheiro pestilento e das roupas sujas espalhadas por ali.
Machado de Almeida, 44 anos, responsável pelo núcleo de combate ao jogo ilegal da Inspecção-Geral de Jogos (IGJ), recorda aquela sala, que desmantelou em 2003, como «o sítio mais miserável» onde já esteve. Dez mil euros e uma arma foram apreendidos: o antro era também frequentado por magistrados, «gente cuja gabardina daria para pagar as roupas de outros oito jogadores». Todos actuais ou ex-frequentadores do Casino Estoril, um dos principais locais de angariação de clientes para as casas ilícitas. «É onde se passa a palavra sobre sítios que funcionam para lá das 3 da manhã e com apostas mais atractivas», explica um inspector da PJ. E é onde começa o problema para as autoridades, que se vêem perante verdadeiros bunkers. São casas muito seguras, inacessíveis a partir da rua e com ‘vigias’ a alertar para a chegada da polícia», explica Dário Prates, 34 anos, coordenador de Investigação Criminal da PSP de Lisboa. Em Abril de 2005, através de uma grua, três elementos do Grupo de Operações Especiais da PSP entraram pela janela de um primeiro andar, num prédio do Intendente, onde taxistas e comerciantes jogavam rami. Dos vários milhares de euros apreendidos, dez mil saíram do bolso de um único jogador. Em 2004, a polícia só encerrou um casino, instalado num anexo, em Alcântara, depois de vencer três portas e dois seguranças.
Machado de Almeida e Dário Prates estimam que existam entre oito e 12 casinos ilegais, em Lisboa. «Dezenas» por todo o País, assevera o especialista do IGJ, entidade que já encontrou espaços destes numa associação recreativa de Guimarães e até no selecto Clube de Golfe da Terceira, nos Açores. «Estas casas têm um lado bom e outro francamente mau», conta um frequentador. «O bom consiste em poder ganhar-se muito só com um lançamento de dados. O mau é o ambiente, um bocado decrépito, com gente vidrada de sono a insistir em jogar e as cenas de pancadaria.»
Mais casinos
A 3 de Fevereiro, os Casinos Solverde, no Algarve, celebraram o 10.° aniversário, com um concerto de luxo: Luís Represas, Rui Veloso, Pedro Abrunhosa e Xutos & Pontapés juntaram-se num espectáculo concebido para o palco de Vilamoura. A cantiga é, afinal, uma arma das salas de jogos.
Propriedade do empresário nortenho Manuel Violas, a Solverde começou por explorar o Casino de Espinho. Em 1996, ganhou a concessão dos três casinos do Algarve, por 8 milhões de contos. «Pretendíamos atingir o break even aos dez anos, conseguimo-lo ao fim de cinco», revela Joel Pais, 49 anos, administrador daquele grupo. Numa década, as salas de jogo de Vilamoura, Praia da Rocha e Montegordo receberam mais de 11 milhões de visitantes e lucros de 360 milhões de euros.
A Solverde quer investir mais 60 milhões de euros no Algarve e na construção de um novo casino em Chaves, até 2008. Entretanto, continuará a fazer pressão política para conquistar a concessão do Porto, como «compensação» pela atribuição de Lisboa ao grupo Estoril Sol. O último passo foi a reunião, na segunda-feira, 6, com o secretário de Estado do Turismo, durante a qual reiterou que o casino da capital provocará «uma distorção do mercado».
Joel Pais acredita que o êxito dos casinos está intimamente ligado à sua implantação demográfica: «O de Lisboa será, em cinco anos, o maior casino português.» Está enganado, por defeito. A nova sala de jogo da capital, que vai abrir a 19 de Abril próximo, piscando o olho a uma clientela jovem, terá 800 slots, numa primeira fase, mas que deverão aumentar para 1 500, ultrapassando as do próprio Estoril. Será, então, o maior casino da Europa.
Do ‘black-jack’ ao presunto
Há quem só jogue numa máquina, com determinada camisa, a determinada hora? «Vi gente que levava cabeças de víbora no bolso e ia fazer-lhes festas para a casa de banho, entre jogadas?», conta Elvino Basílio. Um veterinário insultou a mulher em público, no Algarve, porque cruzou a perna errada. Na hora em que o dinheiro desaparece pelo buraco, os croupiers são quem mais ouve: «Já chamaram de tudo à minha mãezinha», recorda João Teixeira.
E quando é a casa a perder, o profissional da banca pensa: «Esse dinheiro vai voltar e com juros.»
Mas há génios que desafiam a invencibilidade dos casinos. No Algarve, um grupo de finlandeses já logrou fechar as mesas de black-jack por uns dias, tal era a sua capacidade de memorizar sequências. Outros prodígios dedicam-se a menos sofisticados esquemas de rifas, indexados aos números das lotarias da Santa Casa – na casa do senhor Silva, no Porto, o prémio pode chegar aos 250 euros.
Os jogos de ‘senha com cartaz’ – um esquema de venda de senhas que são premiadas quando correspondem aos números com prémios, afixados em cartazes – são os mais populares em Portugal no segmento ilegal. Mas as maroscas revelam-se infinitas. Existem mais de 5 mil máquinas de jogos de fortuna ou azar espalhadas por cafés e associações e, segundo Machado de Almeida, em muitos casos, os donos destes espaços substituem o aparelho apreendido em menos de duas horas.
Estas máquinas ocupam grande parte dos 5 mil metros quadrados do armazém de apreensões da IGJ, repleto de uma parafernália de fazer inveja a qualquer casino. Grande parte são vulgares máquinas de diversão
– de Tetris ou flippers – que, através de um código, se convertem em jogatinas de poker ou de slots. E que só devolvem 20% do dinheiro introduzido pelos jogadores. Outras ilegalidades fazem já parte da cultura popular, à boleia da Santa Casa. No Algarve, a aposta paralela no número suplementar do Totoloto pode valer um presunto ou uma garrafa de vinho.
Fonte: Henrique Botequilha / VISÃO nº 675
Com Francisco Galope, Mário David Campos, Miguel Judas, Patrícia Fonseca e Tiago Fernandes
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